domingo, 21 de dezembro de 2008

é 1984
todos os relógios estão cravados
um minuto,
ou um segundo
antes [ou
será depois]
da revolução{?}

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Solidão

Sólido? Que nada
Só? Muito mais
Sozinho? Quando quero
Saudade? Apenas uma
Desejo? O mais mórbido
Sonhos? Etéreos, fugidios
E Pesadelos? basta abrir os
olhos
2006

O Monstro Que Vi

Que coisas estranhas e feias
Monstros bizarros e desajustados
Atraio para mim?
Que tipo de criatura grotesca
Acaba sempre por se aproximar?
Porque tais portadores de desgraça
Querem me atormentar?
Porque és sozinho
Me responde o rosto
Do outro lado do espelho
Porque tu também és aquilo
Monstro bizarro e grotesco
Das criaturas a mais desajustada
Atormentando a todos
A quem se aproxima

2006

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Instantâneo

Lembrar que não sei porque nem como estou aqui faz meu coração bater mais rápido e perceber a preciosidade e maravilha de simplesmente estar aqui.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A consciência da utopia

Já está mais do que na hora de cada um de nós, independentes de qualquer coisa, nos situarmos a partir de um ponto de vista maior e diverso daquele imposto no cotidiano. Esqueçamos se somos operários, burgueses, donas de casa, homens de negocio, estudantes, politicos. Esqueçamos todos os rotulos e agrupamentos medíocres. Antes de tudo somos representações únicas de uma espécie em particular num ambiente povoado de várias e diferentes especies. Cada ser é um projeto singular de algo maior; mundo das idéias, DNA, deus(es).
Quando tomarmos consciencia do fato de que somos seres tão únicos, interessantes, sagrados deixaremos de lado mesquinharias, ganâncias, ódios. Pois ao percebemos o animal maravilhoso que é o ser humano, não mais passaremos insensiveis por nossos iguais. Será quebrado o contrato silencioso que nos faz conviver e produzir, diariamente, o sofrimento próprio e do outro. Se tal consciencia sobre a singularidade de cada ser, seja humano ou não, for atingida, então teremos alcançado uma visão maior. Visão que vai além daquela do cotidiano, fabricada e artificial. Deixaremos de ver futilidades e egoísmos, não prestaremos atenção a conquistas de poder, status social, moda e tantas outras abstrações menos importantes. A amplitude dessa nova consciencia consegue posicionar o homem em um contexto maior e verdadeiro, permitindo que vejamos nossas reais responsabilidades; O nosso dever, como pessoas conscientes e ativas, de não permitir que a vida seja mais uma mercadoria a ser comprada e vendida, empenhada durante anos para que fetiches como luxo e poder sejam satisfeitos. A nossa obrigação de cuidar do planeta que dividmos com uma infinidade de outros seres e que não podemos queimar e destruir num ímpeto suicida.
Desprovidos das amarras mentais e das armadilhas do ego, o ser humano poderia então ser coerente com a sua condição de evolução e civilização. Arrebentando com as correntes dos nossos corações e mentes fechadas, finalmente todo o potencial da nossa humanidade brotaria e estariamos então unidos não mais de acordo com as rotulações estúpidas e as hierarquias de opressão, mas de acordo com a verdadeira irmandade de semelhantes e habitantes do mesmo planeta, um infimo pontinho no vasto universo.

Ecce Homo

Nasci e não escolhi por nada
Não escolhi céu azul e sol
Nem estrelas e lua
Eles no entanto estavam lá
E não cabia mesmo a mim escolher estes
Pois não são feitos da mão do homem

Porém o homem fez leis
Fez costumes e fez contratos
Nenhum desses eu escolhi ou quis
Ninguém me perguntou se eu concordava
Sempre me disseram que assim era melhor
E eu sem experimentar diferente aceitei
Encenei todas as farsas exigidas
bebi do copo que me foi empurrado
e comi do prato que me foi posto

Agora eu cuspo nesse prato
E vomito tudo que bebi e comi
Não quero mais encenar nenhuma peça
Senão aquelas que eu escolher
Não assinarei mais nenhum papel
Não usarei mais de sensos comuns
Não respeitarei as leis impostas
Renego a vida como ela tem sido
Porque eu não quero ser assim

Escolho por mim mesmo neste momento
Vivo como se não há amanhã agora
Que a revolta tome conta de minha cabeça
Que a subversão acenda os fogos
E deixe queimar o passado presente
Com a escolha que faço aqui
Retomo o controle de minha própria vida

Eis o Homem

Moda

A moda é um padrão coletivo de comportamento.
Algumas poucas pessoas, como estilistas, atores de tv e cinema e outras "celebridades", definem esse padrão.
São essas poucas pessoas que dizem a todos como se comportar, o que fazer e o que falar. Dizem o que é bonito e o que é feio.
E as pessoas aceitam, se dobram a vontade de quem dita a moda, gente que vive numa realidade totalmente diferente.
Quantas pessoas morrem de anorexia, por acreditarem que a magreza é sinal de beleza?
Precisamos nos libertar de idiotices como essa, libertar nossas mentes e corpos do controle da moda, que quer definir um padrão absurdo e inatingivel de beleza.
Não deixe que te digam como se vestir, se comportar, o que dizer e o que fazer.