sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Solidão

Sólido? Que nada
Só? Muito mais
Sozinho? Quando quero
Saudade? Apenas uma
Desejo? O mais mórbido
Sonhos? Etéreos, fugidios
E Pesadelos? basta abrir os
olhos
2006

O Monstro Que Vi

Que coisas estranhas e feias
Monstros bizarros e desajustados
Atraio para mim?
Que tipo de criatura grotesca
Acaba sempre por se aproximar?
Porque tais portadores de desgraça
Querem me atormentar?
Porque és sozinho
Me responde o rosto
Do outro lado do espelho
Porque tu também és aquilo
Monstro bizarro e grotesco
Das criaturas a mais desajustada
Atormentando a todos
A quem se aproxima

2006

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Instantâneo

Lembrar que não sei porque nem como estou aqui faz meu coração bater mais rápido e perceber a preciosidade e maravilha de simplesmente estar aqui.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A consciência da utopia

Já está mais do que na hora de cada um de nós, independentes de qualquer coisa, nos situarmos a partir de um ponto de vista maior e diverso daquele imposto no cotidiano. Esqueçamos se somos operários, burgueses, donas de casa, homens de negocio, estudantes, politicos. Esqueçamos todos os rotulos e agrupamentos medíocres. Antes de tudo somos representações únicas de uma espécie em particular num ambiente povoado de várias e diferentes especies. Cada ser é um projeto singular de algo maior; mundo das idéias, DNA, deus(es).
Quando tomarmos consciencia do fato de que somos seres tão únicos, interessantes, sagrados deixaremos de lado mesquinharias, ganâncias, ódios. Pois ao percebemos o animal maravilhoso que é o ser humano, não mais passaremos insensiveis por nossos iguais. Será quebrado o contrato silencioso que nos faz conviver e produzir, diariamente, o sofrimento próprio e do outro. Se tal consciencia sobre a singularidade de cada ser, seja humano ou não, for atingida, então teremos alcançado uma visão maior. Visão que vai além daquela do cotidiano, fabricada e artificial. Deixaremos de ver futilidades e egoísmos, não prestaremos atenção a conquistas de poder, status social, moda e tantas outras abstrações menos importantes. A amplitude dessa nova consciencia consegue posicionar o homem em um contexto maior e verdadeiro, permitindo que vejamos nossas reais responsabilidades; O nosso dever, como pessoas conscientes e ativas, de não permitir que a vida seja mais uma mercadoria a ser comprada e vendida, empenhada durante anos para que fetiches como luxo e poder sejam satisfeitos. A nossa obrigação de cuidar do planeta que dividmos com uma infinidade de outros seres e que não podemos queimar e destruir num ímpeto suicida.
Desprovidos das amarras mentais e das armadilhas do ego, o ser humano poderia então ser coerente com a sua condição de evolução e civilização. Arrebentando com as correntes dos nossos corações e mentes fechadas, finalmente todo o potencial da nossa humanidade brotaria e estariamos então unidos não mais de acordo com as rotulações estúpidas e as hierarquias de opressão, mas de acordo com a verdadeira irmandade de semelhantes e habitantes do mesmo planeta, um infimo pontinho no vasto universo.

Ecce Homo

Nasci e não escolhi por nada
Não escolhi céu azul e sol
Nem estrelas e lua
Eles no entanto estavam lá
E não cabia mesmo a mim escolher estes
Pois não são feitos da mão do homem

Porém o homem fez leis
Fez costumes e fez contratos
Nenhum desses eu escolhi ou quis
Ninguém me perguntou se eu concordava
Sempre me disseram que assim era melhor
E eu sem experimentar diferente aceitei
Encenei todas as farsas exigidas
bebi do copo que me foi empurrado
e comi do prato que me foi posto

Agora eu cuspo nesse prato
E vomito tudo que bebi e comi
Não quero mais encenar nenhuma peça
Senão aquelas que eu escolher
Não assinarei mais nenhum papel
Não usarei mais de sensos comuns
Não respeitarei as leis impostas
Renego a vida como ela tem sido
Porque eu não quero ser assim

Escolho por mim mesmo neste momento
Vivo como se não há amanhã agora
Que a revolta tome conta de minha cabeça
Que a subversão acenda os fogos
E deixe queimar o passado presente
Com a escolha que faço aqui
Retomo o controle de minha própria vida

Eis o Homem

Moda

A moda é um padrão coletivo de comportamento.
Algumas poucas pessoas, como estilistas, atores de tv e cinema e outras "celebridades", definem esse padrão.
São essas poucas pessoas que dizem a todos como se comportar, o que fazer e o que falar. Dizem o que é bonito e o que é feio.
E as pessoas aceitam, se dobram a vontade de quem dita a moda, gente que vive numa realidade totalmente diferente.
Quantas pessoas morrem de anorexia, por acreditarem que a magreza é sinal de beleza?
Precisamos nos libertar de idiotices como essa, libertar nossas mentes e corpos do controle da moda, que quer definir um padrão absurdo e inatingivel de beleza.
Não deixe que te digam como se vestir, se comportar, o que dizer e o que fazer.

¿ Questiono eu ?

O que é ser sociavel? Vestir uma camisa desconfortavel? Uma camisa que custa muito mais do que a maioria da sociedade pode se dar ao luxo de pagar? Então, é isso que é ser sociavel?
Não seria isso anti-social? Induzir a um comportamento que claramente está em desacordo com a maioria da sociedade?

E se eu não quiser ser sociavel? E se eu quiser vestir o que me deixa mais confortavel? Eu posso?
será que alguem diria que não? eu duvido, e voce?
A maioria não diria que voce é livre pra fazer o que quiser?
Então porque eu tenho que me deparar, todo dia, com a competição e o desfile de moda?
Porque suportar, e talvez, mesmo contrariado, fazer parte do pavoneamento coletivo?
Não é demais ter que fazer parte de uma mentalidade baseada no quão proximo voce está do padrão?
Porque aceitar que uma TV me diga como parecer?
Não tinha um cara que uns anos atrás falava que queria uma ideologia pra viver?
E ele como todos de hoje, não querem?
E não compram uma ideologia embalada num estereotipo com um cartão de visitas?
E não parece as vezes que esse cartão diz, "Olá, estou no padrão! sou um produto aceitavel"?
Pra que toda essa insanidade, essa corrida e desespero para ser "aceitavel"?

Somos robos ou o que?
Mas não importa, certo?
E será que alguem vai me entender?